Cultura

Turma do IFB Samambaia vai restaurar móveis das edificações de Niemeyer

Museu Vivo faz evento com várias manifestações para celebrar Dia do Patrimônio Histórico. Visita guiada, palestras, filmes, depoimentos e comida típica mapeiam pertencimento a Brasília.

Vistos

O Museu Vivo da Memória Candanga (MVMC), no Núcleo Bandeirante, será palco na sexta-feira (16) de comemoração que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) fará conjuntamente com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do DF, o Instituto Federal de Brasília (IFB) e o Coletivo Cinema Urbana pelo Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado em 17 de agosto.

“É muito significativo que essa iniciativa se dê num espaço associado ao papel do povo na construção do patrimônio”, diz o subsecretário da Secec para a área, Cristian Brayner, em referência ao fato de o MVMC manter a exposição permanente “Poeira, Lona e Concreto”, com fotos, objetos e cenários que cultivam a memória dos candangos, construtores da capital. Ele ressalta também que a data é de enorme relevância para Brasília, que detém a maior área tombada do mundo e está prestes a celebrar 60 anos.

Brayner também destacou a preocupação da gestão atual da Cultura com a ocupação intensiva dos equipamentos, com vistas tanto à educação patrimonial e à sustentabilidade. “Sobre a questão da sustentabilidade, temos uma parceria com a Unesco para avaliar nossos espaços”, diz o subsecretário de Patrimônio.

Na atividade de sexta-feira no MVMC, um papel destacado caberá ao Instituto Federal de Brasília, que no campus de Samambaia mantém o curso “Técnico em Design de Móveis”, que desenvolve esboços, perspectivas e desenhos normatizados de móveis e trabalha também com restauro. A colaboração entre MVMC e o IFB acontece desde 2015. A atual oficina vai mobilizar 30 alunos, que até novembro vão restaurar duas camas que pertenceram ao Brasília Palace Hotel, uma das três primeiras edificações de Niemeyer na capital, depois do Catetinho e junto com o Palácio da Alvorada.

“O mobiliário é um excelente instrumento de narrativa porque conta a história do lugar a partir da ocupação pelas pessoas”, explica o professor do curso, Frederico Hudson, designer e doutor em História da Arte. Estudantes que participam da oficina já passaram por uma introdução à história do mobiliário, na fronteira entre design, arte, história e cultura. O IFB já restaurou móveis do Palácio da Alvorada, do Planalto, da Presidência da República, da UnB e do Itamaraty para citar alguns dos pontos mais nobres da Esplanada.

A atividade de sexta avança para o patrimônio imaterial com a apresentação de dois filmes que tratam da história de Brasília por duas vertentes distintas. Organizado pela Cinema Urbana – com ‘a’ mesmo, para enfatizar que é composto por quatro mulheres o coletivo ligado à Casa de Cultura da América Latina, vinculada à UnB. Thay Limeira, uma delas, explica que os filmes que estão programados para sexta contam como se deu a ocupação da capital nos anos 70 (“Brasília Ano 10”, de Geraldo Sobral Rocha), em cópia restaurada, e sobre as exclusões que a cidade produz, na figura de seus mendigos (“O homem que não cabia em Brasília”, de Gustavo Menezes).

Ainda previstos o depoimento da candanga “Maria do Cerrado”, na condição de representante do patrimônio humano, e degustação de comidas do bioma que cerca a capital. Uma atividade que fala aos cinco sentidos e dá um outro ao que significa ser candango.

Serviço
9h – Visita guiada pelos espaços expositivos do Museu Vivo da Memória Candanga;
10h – Abertura com palestra do Iphan/DF;
11h – Mostra Cinema Urbana/CAL-UnB;
– “Brasília Ano 10” (1970, Geraldo Sobral Rocha);
– “O homem que não cabia em Brasília” (2016, Gustavo Menezes);
11h10 – Palestra sobre patrimônio humano com Maria do Cerrado em homenagem ao pajé Zé Ramalho da Vila Planalto;
12h – Encerramento com degustação baseado no menu de Comidas do Cerrado.

o autorKésia Paos
Coordenadora de Jornalismo Local
Jornalista da rádio Ativa FM
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