Saúde

Gravidez na adolescência: apoio dos pais é fundamental

Incidência no Brasil é superior ao registrado em nível mundial

Foto: Reprodução da Internet
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Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que a taxa de gravidez na adolescência, no Brasil, está na casa dos 68,4%. O número, de 2018, acende um alerta, ainda mais se comparado ao índice mundial, que é bem inferior: 46 nascimentos para cada 1 mil meninas com idade entre 15 e 19 anos.

Por trás de cada número desse levantamento existem vidas e diversas realidades sociais. E, em alguns pontos, os casos se assemelham: a pouca idade e a responsabilidade de cuidar de uma criança. Por isso, o apoio de familiares é fundamental para garantir uma gestação saudável.

“Ao suspeitar da gravidez, o primeiro passo é procurar uma unidade básica de saúde mais próxima de casa para confirmar a gestação. A maioria delas tem medo de procurar o serviço porque acredita que lá irão informar a situação aos pais, mas não é assim”, tranquiliza a médica da família e comunidade, Denise Leite.

A médica explicou que, da mesma forma como ocorre com todas as pessoas, os adolescentes são, igualmente, respaldados pelo sigilo profissional, que não vale apenas para o médico, mas para todos os profissionais, como enfermeiros e assistentes sociais. E enfatiza: “O que é conversado no consultório não pode ser divulgado para outras pessoas”.

APOIO – Na Unidade Básica de Saúde (UBS), os profissionais fazem o acolhimento da adolescente, orientam para iniciar o pré-natal, caso se confirme a gravidez, e informam sobre a contracepção, em caso negativo.

“No pré-natal, são solicitados exames de sangue, urina, ultrassonografia transvaginal, sorologias de hepatite, HIV, sífilis e outras doenças. Isso para ver se está tudo certo com a mãe e o bebê. Além disso, os profissionais avaliam se a gravidez é fruto de violência”, esclarece, ao lembrar que os parceiros adolescentes também podem receber orientações.

A médica esclarece que as adolescentes precisam continuar estudando, com o apoio dos pais. “A escola precisa proporcionar o estudo. Apesar de muitas delas se sentirem envergonhadas, não têm de parar de estudar. O bebê não pode ser um empecilho para que a jovem mãe pare de buscar seus projetos futuros”, ensina.

Sobre a família, o ideal é que ofereça apoio para evitar que a adolescente desenvolva transtornos psicossociais. Quando ocorrer esse problema, é possível buscar apoio de psicólogos, tanto para a gestante, quando para a família e o pai da criança, no Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB), nas UBSs. “A negação da gravidez é uma das piores reações. O ideal é dar apoio”, finaliza Denise Leite.

PREVENÇÃO – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, aprovou, na terça-feira (20), o Projeto de Lei nº 512/2011, do Senado, que institui a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, a ser realizada, anualmente, na semana que incluir o dia 1º de fevereiro.

A proposta acrescenta dispositivo ao Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990). O objetivo do novo instrumento legal é disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência. O texto estabelece que as ações ficarão a cargo do poder público, em parceria com organizações da sociedade civil.

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