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Funcionários realizam formatura surpresa para colega de trabalho

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De família humilde, Ivaneide Alves dos Santos começou a trabalhar cedo. Após a morte de seu pai, ela precisou trabalhar dobrado para sustentar toda a família, pois os três irmãos estavam desempregados. Ela fazia faxinas, trabalhava em feiras, e mesmo em meio a dificuldades, nunca deixou de sonhar.

Em certa ocasião, Ivaneide estava com a família reunida e sua mãe revelou que tinha um sonho: ver pelo menos um de seus filhos conquistar um diploma superior. Ao mesmo tempo, a mãe de Ivaneide achava que isso era quase impossível acontecer, por se tratar de uma família muito humilde. “No dia em que eu ouvi isso dela, pensei: ‘Pois eu vou fazer isso para minha mãe. Eu vou realizar esse sonho dela’”, comenta Neide, como é chamada carinhosamente pelos amigos.

Sem medir esforços, a jovem foi até uma universidade, prestou o vestibular e foi aprovada. Junto com a aprovação vieram os novos desafios. Um deles era pagar as mensalidades. Foi então que Neide aumentou o número de faxinas, a fim de continuar estudando.

Descontente com sua atual condição, ela nunca parou de buscar emprego fixo. Foi quando recebeu uma oportunidade de trabalho no Colégio Adventista de Brasília, na Asa Sul.  Começou sua carreira como zeladora e utilizou parte do salário para realizar o grande sonho: ser pedagoga.

O vice-diretor da escola, na época, a incentivava com palavras de superação. Num determinado momento, o líder a convidou para trabalhar como auxiliar de classe. Esse foi um divisor de águas na vida de Neide.

Algum tempo depois, a mãe de Neide adoeceu e ela precisou conciliar os estudos com o trabalho e ainda cuidar da mãe no hospital. ‘’Eu não conseguia pensar nos estudos. Eu a via doente, ficava preocupada, cuidava dela. E então ela faleceu. Infelizmente não consegui realizar o sonho dela em vida”, lamenta.

Após o episódio doloroso, Neide continuou lutando. Com muito sacrifício e esforço, conquistou o grande objetivo de se formar no curso de pedagogia. Entretanto, não pôde participar da cerimônia de formatura.

A coordenadora do turno integral do Colégio Adventista da Asa Sul de Brasília, Elissandra de Moraes, conta que desde sempre notou um grande potencial em Neide, e que ao saber da sua impossibilidade de participar da formatura, surgiu a ideia de realizar uma surpresa. “É normal recebermos auxiliares que cursam pedagogia, mas o caso da Neide nos chamou mais atenção e nos sensibilizou pela trajetória dela, pela história de vida.  na época o vice-diretor Rogério incentivou ela a continuar estudando.  Vimos nela um potencial, vimos que ela tinha condições de ser uma professora auxiliar, e ela veio trabalhar conosco no contra turno”, explica a coordenadora.

As colegas de trabalho de Neide entenderam que ela deveria participar de uma cerimônia de formatura, mesmo que não fosse oficial da faculdade. O importante é o que aquele momento poderia significar para a nova pedagoga. “Ela concluiu o semestre e não pôde fazer a colação de grau. Foi aí que conversei com algumas colegas e a gente resolveu montar uma surpresa. Sem a Neide desconfiar, alugamos beca, preparamos o cerimonial, convidamos a filha e realizamos a cerimônia com direito a um jantar especial. Tentamos proporcionar para ela aquele momento de entrar na formatura, da colação de grau, fizemos um diploma de amizade, foi muito emocionante, muito bonito”, conta, emocionada, a coordenadora.

“Ainda estou sem acreditar!  Foi uma grande surpresa. Uma semana antes minha colega falou que estava fazendo um curso de maquiagem e queria que eu fosse sua modelo. Eu topei sem desconfiar de nada. Ela me levou para o auditório do colégio. Na hora que cheguei lá e abri a porta, elas começaram a vestir a beca em mim, a fotógrafa começou a tirar fotos, a cerimonialista me apresentou e eu fiquei chorando, muito emocionada”, destaca a pedagoga.

“O esforço todo valeu a pena. Hoje estou formada, me sinto realizada, é uma profissão que eu quero seguir. Eu gosto muito de criança e sou muito grata a todas as pessoas que me apoiaram e me ajudaram nessa caminhada. Serei grata para sempre, principalmente a Deus. Sem Ele eu não teria chegado até aqui”, finaliza Neide.

o autorKésia Paos
Coordenadora de Jornalismo Local
Jornalista da rádio Ativa FM
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