Cultura

Cultura que ensina: Rodas Ancestrais realizou nova edição em Samambaia

Projeto em Samambaia aposta na integração de samba de roda, mamulengo, capoeira e contação de histórias como prática pedagógica

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E se a cultura pudesse ensinar? Esta é uma das apostas do projeto Rodas Ancestrais, que esteve em Samambaia no último sábado (10/11). O evento reuniu capoeira, mamulengo, samba de roda e contação de história em uma “grande roda”, que promove conhecimento oral e formal por meio destas expressões, que fazem parte do patrimônio cultural nacional. Os grupos que comandaram as atividades são Comunidade de Capoeira Formigueiro de Angola, Escola Cultural Capoeira Fio da Navalha, Mamulengo Presepada e Samba de Roda Cid Aroeira.

“A proposta do evento é criar um espaço de encontro entre essas quatro manifestações afrobrasileiras, e a gente tá fazendo isso em Samambaia com o intuito de fortalecer a identidade cultural da comunidade. Muitas vezes essas expressões passam invisíveis na sociedade, mas existe muito conhecimento, além da produção simbólica, estética, e as pessoas pensam que é só um lugar de desqualificação, mas não é”, defende Luciana Meireles, uma das produtoras e integrantes do evento, que ainda completa sobre como a cultura tem um poder, muitas vezes, inimaginável: “É fundamental entender a importância da cultura como uma estruturante da identidade de uma comunidade, entender que isso é muito mais estruturante do que se imagina”.
“Trabalhamos com a pedagogia Griô, e ela reconhece que manifestações culturais são uma forma de educação, sendo que a escola pode aprender com essas manifestações culturais também, pois com as expressões culturais os jovens conseguem assimilar melhor vários aspectos que englobam contextos de convivência social. Queremos mostrar que dentro de uma roda cultural dá para aprender, mostrar que a ancestralidade afro-brasileira e indígena pode ensinar”, argumenta Luciana.
A produtora também resume o que ocorrerá neste sábado para as atividades do Rodas: “As atividades serão integradas, terá a roda e no meio com a contação de história o mamulengo e depois a roda de capoeira. As pessoas podem ir preparadas para participar, inclusive, quem nunca tentou. O foco está muito nas crianças, os grupos de capoeira têm esse trabalho e a gente tenta reforçar isso com as atividades”.

A força do esporte

A Escola Cultural Capoeira Fio da Navalha é um dos grupos que realizam atividades com o Rodas Ancestrais. O capoeirista Leandro Araújo, conhecido em Samambaia como mestre Cabeça – que trabalha com o esporte há 10 anos – considera que, muitas vezes, os jovens não conseguem ter muitas oportunidades profissionais, e enxergam na capoeira uma forma de sair das ruas, de buscar uma alternativa na vida e não só um hobby.

“Eu já trabalho com a capoeira em Samambaia há 10 anos, e assim, interagindo, tentando levar as crianças para o esporte. É um caminho para tirar as crianças da rua, e o objetivo é mostrar, não só a capoeira como uma atividade física, mas ensinar preceitos de respeito, convivência, enfim, deixar os jovens mais preparados para viver em sociedade”, alega.
Em relação ao Rodas Ancestrais, Cabeça assegura que a primeira edição do evento foi um sucesso, e que por mais que a associação com outras expressões culturais seja improvável, funciona perfeitamente: “No primeiro encontro a gente fez a integração com o público, e ao meu ver foi ótimo, as crianças vieram junto e conseguiram participar de toda a festa. Não vou negar que, para mim, foi uma novidade, foi a primeira vez que eu trabalhei a capoeira com o mamulengo, por exemplo, mas acho que casou legal e, enfim, to me amarrando muito”.
Para o futuro do projeto, o capoeirista faz uma previsão simples, mas cheia de esperança: “Espero que, cada vez mais, a gente ganhe notoriedade. Pretendemos continuar crescendo e trabalhando para gerar mais resultados positivos junto a comunidade, queremos o que é melhor para nossa comunidade”.
Fonte: Correio Braziliense

o autorKésia Paos
Coordenadora de Jornalismo Local
Jornalista da rádio Ativa FM

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