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Endometriose: uma causa de infertilidade que pode ser tratada

No Brasil, cerca de 6 milhões de mulheres em idade fértil têm essa doença, cujo diagnóstico pode demorar até 10 anos para ser esclarecido. Quando não tratada, pode provocar dores incapacitantes, anemia profunda e infertilidade. A cólica menstrual nem sempre é normal e deve ser investigada

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Intensa cólica menstrual, menstruação abundante, dor durante e/ou após a relação sexual, infertilidade, dificuldade em urinar ou dor ao enchimento vesical, constipação intestinal ou diarreia no período menstrual, além da dor ao evacuar e dor pélvica contínua com piora no período menstrual e uma enorme vontade de se isolar do mundo deitada em um quarto com compressa de água quente – por não conseguir fazer nada. Este é o cenário para quem tem endometriose – doença que acomete cada vez mais as mulheres. No Brasil, cerca de 6 milhões de mulheres têm a doença, cujo diagnóstico pode demorar até 10 anos, entre início dos sintomas e o diagnóstico.

 

Mas, afinal, o que é endometriose? O tecido que reveste o útero e é eliminado durante a menstruação – chamado de endométrio – cresce em outras regiões do corpo, como ovários, intestino, bexiga e a parte externa do útero. Este tecido fora de lugar adere as paredes dos órgãos, criando nódulos e provocando inflamações que causam fortes dores e, consequentemente, afeta a qualidade de vida das mulheres.

 

A endometriose é familiar para a maioria das mulheres, porém, poucas conhecem os sintomas e as consequências que ela pode trazer, como por exemplo, a infertilidade. Isso ocorre quando há acometimento das trompas – órgão que conduz o óvulo ao útero – além de poder se associar a alterações hormonais e imunológicas que dificulta a gravidez.

Quando o tratamento é feito de maneira correta, pode elevar as taxas da gravidez. Cerca de 80% dos casos de infertilidade, em pacientes com endometriose, podem ser revertidos com tratamento cirúrgico adequado e/ ou fertilização in vitro.

 

Considerada uma patologia impactante, a endometriose é uma doença complexa, multifacetada –  uma vez que pode comprometer vários órgãos e tem diferentes formas de manifestações clínicas – comprometendo, assim, a qualidade de vida da paciente. A mulher, acometida pelos sintomas da endometriose, não deve subestimar os sinais e, sim, buscar ajuda médica.

 

Entende -se atualmente que, de todos os fatores relacionados a endometriose, o de maior importância é o desconhecimento de que os sintomas descritos, tidos muitas vezes como banais, constituem uma doença desgastante que, além de comprometer a qualidade de vida da portadora, gera muita frustração envolvendo projetos pessoais e afetivos.

Para a maioria, as fortes e insuportáveis dores não passam de simples cólicas e/ou “frescura”. No ambiente de trabalho, nos relacionamentos sociais e afetivos, a cólica menstrual é vista como algo que a mulher já está acostumada a sentir, portanto, não há necessidade para certos exageros. Quando na verdade, a cólica menstrual nem sempre é normal e deve ser investigada.

O ginecologista do Instituto de Endometriose de Brasília, Dr. Alexandre Brandão Sé, esclarece que “a negligência relacionada as dores pélvicas é muito prejudicial, pois cronifica  o sofrimento, leva a paciente a perder tempo de tratamento e permite a progressão da doença, que pode evoluir para infertilidade.” E acrescenta: “Cólicas incapacitantes, que incidem mensalmente, associadas aos outros sinais e sintomas já citados, devem ser valorizadas, investigadas, o diagnóstico esclarecido e o tratamento adequado proposto.”

 

Diagnóstico, tratamento e intervenção cirúrgica

 

O diagnóstico costuma ser difícil, porque os sintomas da doença nem sempre recebem a atenção necessária. A cólica menstrual extremamente forte – aquela que não ameniza com compressas ou analgésicos e causa limitação na vida da mulher – pode ser um dos  primeiros sinais. A doença demora entre sete e 10 anos para ser diagnosticada, porque tanto a sociedade – de um modo geral – quanto os profissionais de saúde consideram que toda cólica menstrual faz parte da vida da mulher. Para reverter a situação, é fundamental que a paciente realize exames para investigar a cólica “normal” e descartar da endometriose.

 

As causas do problema, ainda, são incertas. Mas, acredita-se que esteja relacionado a alguns fatores, como menstruação retrógrada – quando a menstruação com as células do endométrio retorna pelas trompas ao invés de ser eliminada – sistema imunológico deficiente e hereditariedade.

 

Alguns tratamentos medicamentosos e terapias alternativas são indicados para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida das pacientes. O uso contínuo de anticoncepcionais é uma das primeiras medidas, porque inibe a menstruação e, consequentemente, a proliferação do endométrio. Nos casos de crises de dor é usado anti-inflamatórios, analgésicos e antiespasmódicos. Quando a doença causa sérios problemas para o intestino ou para as vias urinárias ou em casos de infertilidade, pode ser necessária a intervenção cirúrgica.

 

As mulheres devem estar atentas ao funcionamento do seu organismo e procurar ajuda médica. O tratamento da endometriose é necessário para oferecer mais disposição e melhora na qualidade de vida das pacientes.

Késia Paos
o autorKésia Paos
Coordenadora de Jornalismo Local
Jornalista da rádio Ativa FM

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